Resiliente ou antifrágil?

. 20 de diciembre de 2017

Por Silvana Mello

Se existe uma característica pessoal que é citada na maioria dos livros atuais, é a resiliência, etimologicamente sinônimo de elasticidade, termo usado na física para definir o processo no qual os corpos deformados retornam ao estado original.

Em um mundo altamente volátil e repleto de incertezas como o que vivemos atualmente, a resiliência se torna uma pauta importante. Mas, será que ela dá conta de tanta complexidade sozinha?

Nacim Taleb no livro Antifrágil cita a resiliência como algo que resiste ao longo do tempo, mas incorpora a antifragilidade como a característica que convive amigavelmente com as incertezas no mundo atual e vai além disto, o antifrágil aprecia a aleatoriedade e a incerteza, o que também significa, acima de tudo, apreciar os erros ou certo tipo de erro. Será que vamos passar a gostar das incertezas? Será que este será o combustível para desenvolver a robustez, resiliência ou antifragilidade?

Ram Charam em uma de suas brilhantes apresentações: “Unstoppable Trends”, afirma com veemência que em uma crescente economia global compartilhada, a rapidez como sinônimo de competividade e adverte: “se você quer inovar, simplesmente inove, não precisa avisar ao mundo que você vai inovar, seja rápido e disruptivo”.  A velocidade das informações e novas possibilidades em variados campos da ciência traz a necessidade de algo maior que a resiliência, mas a capacidade de se transformar continuamente.

Sheryl Sandberg em seu livro altamente inspirador “Plano B” conta como ela desenvolveu a sua resiliência pessoal após um trágico acidente. Para tanto, cita os três P`s do psicólogo Martin Seligman como uma maneira de processar os acontecimentos negativos, são eles: P1 – personalização, que é a impressão de que temos culpa sobre o que ocorreu; P2 – permeabilidade, que é a impressão de aquele o acontecimento vai afetar todos os setores da vida; e o P3 – permanência, que é a impressão de que os desdobramentos desse acontecimento vão durar para sempre.   Se imaginarmos acontecimentos dolorosos em nossas vidas e refletir sobre eles, realmente os 3P´s fazem sentido.

Longe de ter a intenção de esgotar um assunto tão complexo, mas deixando por aqui uma percepção diferente de que desenvolver-se como ser humano é mais complicado do que parece e, além da educação básica e a estrutura emocional, o ser humano não pode prescindir de sua formação espiritual, pano de fundo que molda o seu caráter e sua capacidade de criar elasticidade. Um dos exemplos mais poderosos da história é o exemplo do Nelson Mandela que combateu oApartheid, mesmo depois de 27 anos preso em uma cela minúscula, disseminou exemplos de perdão, amor, coragem e resiliência. “Um senso de legado extraordinário, essência da alma.”

Silvana Mello
Diretora de Desenvolvimento de Talentos, Liderança e Engajamento da Consultoria LHH

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